Conectando sistemas
Toda vez que converso com alguém sobre uma nova iniciativa de negócios, a conversa inevitavelmente acaba indo para o lado da tecnologia. Talvez seja porque sou da área, então as pessoas já chegam esperando que eu fale sobre isso. Mas, independentemente do motivo, quando discutimos desafios, dois sempre aparecem: primeiro, o modelo de negócios – como esse projeto vai gerar dinheiro? – e segundo, as integrações e os dados necessários para fazê-lo funcionar. Hoje, quero focar no segundo ponto.
Com a digitalização tomando conta de tudo, as APIs (Application Programming Interfaces) se tornaram as grandes pontes que conectam sistemas, permitindo que aplicativos e serviços conversem entre si. Pense nelas como diferentes tipos de estradas: algumas são largas e movimentadas, outras são mais restritas e seguras, e cada uma tem um propósito específico.
Neste texto, quero explorar seis estilos arquiteturais de API e como eles atendem diferentes necessidades: SOAP, REST, GraphQL, gRPC, Webhook e WebSocket.
SOAP (Simple Object Access Protocol)
Imagine o SOAP como uma carta registrada: segue um formato rígido (XML), tem regras bem definidas e oferece um alto nível de segurança. Por isso, é amplamente utilizado em setores como financeiro, telecomunicações e sistemas empresariais robustos, onde confiabilidade é essencial. O lado negativo? Sua complexidade torna o aprendizado e a implementação mais desafiadores.
Ele utiliza um protocolo baseado em XML para estruturar as mensagens e é transportado sobre protocolos como HTTP ou TCP. Ele define um conjunto rígido de padrões de segurança, transações e confiabilidade, tornando-o ideal para ambientes corporativos que exigem auditoria e conformidade rigorosa.
Principais características: usa XML para troca de dados, garante segurança e confiabilidade, tem uma comunidade menor e uma curva de aprendizado longa.
REST (Representational State Transfer)
Esse padrão é como um cardápio bem organizado: o cliente faz um pedido e recebe exatamente o que precisa. Ele se baseia em protocolos web comuns (como HTTP), suporta vários formatos de dados (JSON, XML, HTML) e é amplamente adotado por APIs públicas e aplicativos web devido à sua simplicidade e popularidade entre desenvolvedores.
O REST se baseia em recursos acessados via endpoints HTTP, seguindo métodos como GET, POST, PUT e DELETE. Ele é stateless, o que significa que cada requisição carrega todas as informações necessárias para ser processada sem depender de estado no servidor. Isso facilita escalabilidade e distribuição de carga.
Principais características: suporta formato texto como JSON e XML, é fácil de aprender, tem uma grande comunidade e é muito usado em APIs públicas e aplicações na internet.
Veja: Vamos falar de APIs: entendendo a magia por trás dos bastidores digitais
GraphQL
Se REST é um restaurante com menu fixo, GraphQL é um bufê onde você escolhe exatamente o que quer no seu prato. Ele permite consultas personalizadas, evitando que os clientes recebam dados de sobra ou informações insuficientes. É ideal para aplicações móveis, microsserviços e sistemas que exigem flexibilidade.
Ele fornece um único endpoint para consultas, permitindo que o cliente especifique exatamente os dados que deseja receber. Ele é baseado em um schema tipado e usa resolvers para mapear requisições para funções específicas no backend. Essa abordagem reduz over-fetching e under-fetching de dados, otimizando o desempenho.
Principais características: baseado em schemas, usa JSON para troca de informações, tem uma curva de aprendizado média, uma comunidade crescente e é popular em aplicativos móveis e microsserviços.
gRPC (Google Remote Procedure Call)
Pense no gRPC como um telefone de alta qualidade com som cristalino. Ele usa um protocolo eficiente para transmitir dados binários rapidamente, reduzindo a latência e garantindo alto desempenho. Isso o torna uma escolha excelente para sistemas distribuídos que precisam de comunicação rápida.
O gRPC utiliza HTTP/2 para multiplexação de requisições e resposta assíncrona, tornando-o mais eficiente que REST para comunicação entre microsserviços. Ele usa Protocol Buffers (protobuf) para serializar dados, o que reduz o tamanho das mensagens e melhora a velocidade da transmissão.
Principais características: alto desempenho, curva de aprendizado média, comunidade crescente, ideal para comunicações de baixa latência.
Webhook
Os webhooks funcionam como serviços de notificação: em vez de um sistema consultar o tempo todo se há novidades, ele apenas espera ser avisado quando algo acontece, tornando essa abordagem eficiente para automação, processamento de pagamentos e pipelines de desenvolvimento (CI/CD).
Um webhook é essencialmente um callback HTTP que dispara eventos automaticamente. Ele funciona no modelo push, onde um servidor envia dados para um endpoint configurado em outro sistema sempre que um evento específico ocorre. Isso reduz a necessidade de polling e melhora a eficiência da comunicação.
Principais características: comunicação assíncrona, fácil de aprender, amplamente utilizado em gateways de pagamento e processos de CI/CD.
WebSocket
Se REST funciona como um garçom anotando pedidos, WebSocket é como um chef de cozinha conversando diretamente com o cliente. Ele permite comunicação contínua e bidirecional em uma única conexão, sendo ideal para chats, jogos online e transmissões ao vivo.
Através do WebSocket estabelecemos uma conexão full-duplex persistente sobre TCP, permitindo comunicação contínua entre cliente e servidor sem necessidade de múltiplas requisições HTTP. Isso reduz overhead e latência, sendo amplamente utilizado para aplicações de tempo real.
Principais características: comunicação full-duplex, curva de aprendizado média, perfeito para aplicações em tempo real, como chats e jogos.
Cada estilo arquitetural de API tem seu espaço e propósito, e a escolha certa depende das necessidades do projeto. Não existe uma solução única que sirva para tudo, especialmente quando falamos de integração de sistemas. SOAP oferece segurança extrema, REST é simples e escalável, GraphQL proporciona consultas dinâmicas, gRPC se destaca pela velocidade, Webhooks automatizam eventos e WebSockets garantem comunicação em tempo real.
Mas aqui está um ponto importante: esses estilos não são excludentes. Em um único projeto, você pode combinar diferentes abordagens para otimizar a comunicação entre sistemas. Por exemplo, REST pode ser usado para consultas padrão, enquanto WebSockets garantem interatividade em tempo real.
Entender essas diferenças é essencial para arquitetar soluções eficientes e escaláveis. Afinal, na tecnologia, como na vida, a escolha do caminho certo faz toda a diferença.
Quer entender qual API faz mais sentido para o seu projeto e como combiná-las para obter a melhor performance? Vamos conversar!
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