O tempo
A vida é feita de pequenas escolhas que, dia após dia, constroem quem somos. Não podemos prever o futuro, mas podemos decidir como caminhar. É hora de olhar para o presente e se perguntar: qual será o próximo tijolo que você vai colocar na sua história?
Quando eu era mais jovem, imaginava o tempo como algo linear: passado, presente, futuro. Sempre nessa ordem, da esquerda pra direita, como uma linha reta. Hoje vejo como eu estava enganado — o tempo é muito mais bagunçado do que isso.
Outro dia, vi uma metáfora que fez todo o sentido pra mim: a vida é como andar de costas. A gente vai caminhando sem saber o que vem pela frente, apenas enxergando o que ficou pra trás. O futuro aparece no momento em que a gente chega nele — sem spoiler, sem roteiro. No começo, essa ideia pode ser meio assustadora. Afinal, quem não quer olhar pra frente e ter um pouco de controle? Mas, com o tempo, essa perspectiva dá uma espécie de alívio, é até libertadora.
Pensar assim mudou muita coisa pra mim. Primeiro, me trouxe paz em relação ao futuro. Ele é um mistério, e tá tudo bem não ter controle sobre isso. Segundo, me fez olhar o passado com mais gentileza. Percebi que ele não é uma sequência organizada, mas um emaranhado caótico de experiências, decisões e muitos acasos. É como uma parede de tijolos — nenhum tijolo sozinho sustenta tudo. É o conjunto que dá força à estrutura.
Falando em tijolos, ou em hábitos que nos constroem, confesso que um dos meus "tijolinhos" é o café. Pela manhã, 95% das vezes ele tá comigo. Às vezes aparece um chá, ou um café com leite, mas acho que só no último ano tomei pelo menos umas 450 xícaras. Depois do almoço? Lá vou eu, de novo, com minha xícara na mão... quase um ritual, acontece 90% das vezes. É engraçado pensar como algo tão simples faz parte de quem eu sou, tanto quanto eu faço parte desse hábito.
Esse exemplo trivial diz muito sobre a vida. Não são as grandes decisões que definem a gente, mas as pequenas escolhas de todo dia. É como construir uma casa: não são as enormes vigas que garantem tudo em pé, e sim cada tijolinho que colocamos no lugar certo — ou errado.
O problema real, geralmente, não é algum concorrente, nem as crises lá fora, mas sim as distrações que alimentamos e os maus hábitos que insistimos em manter. A gente adia o que não gosta, direciona energia para o que não importa e, no processo, começa a construir paredes tortas.
Ainda na metáfora do tempo, esse jeito de enxergar a vida como uma estrada de mão única me fez ver algo importante: vamos andando por ela e, aos poucos, as coisas vão sumindo no horizonte. Algumas ficam tão distantes que não dá mais pra ver, e tá tudo bem... até que a gente encontra aquela bifurcação. É o momento em que precisamos escolher qual caminho seguir. E aí, ou o medo paralisa, ou encontramos coragem pra continuar.
Como encarar o medo
Descobri que existem dois pilares que me ajudam a lidar com o medo. O primeiro é acreditar na minha própria força: confiar que tenho os recursos necessários pra enfrentar o que vier. A ansiedade ama sussurrar que algo horrível pode acontecer, mas quando você acredita que consegue lidar com qualquer coisa, esse sussurro perde a potência.
O segundo pilar é saber que não estou sozinho. Só de ter clareza de que há pessoas por perto, prontas pra me estender a mão se eu precisar, tudo muda. Porque, se algo der errado, eu sei que não vou passar por isso isolado.
Combinar esses dois pilares — força e apoio — faz toda a diferença. Lembrar dos perrengues que já enfrentei, das habilidades que desenvolvi ao longo do caminho e das pessoas que fazem parte da minha vida é como ter uma corda de segurança invisível. Dá aquele incentivo pra arriscar um pouco mais.
O oposto disso é o terreno perfeito pra ansiedade germinar. Se enxergar como fraco e isolado é dar espaço pra ela crescer. E o pior é que, infelizmente, parece que o nosso tempo incentiva isso. As redes sociais vendem a ideia de uma vida fácil, cheia de atalhos. O conforto em excesso acaba nos deixando despreparados. A gente perde as habilidades sociais, se tranca em pequenas bolhas, e pedir ajuda vira um peso. Dentro dessas bolhas, qualquer probleminha parece uma tragédia.
Mas aí está o ponto: a gente não precisa carregar tudo sozinho. Costurar redes de apoio e, ao mesmo tempo, investir em nós mesmos é o que torna a caminhada mais leve. Por mais que não possamos ver o que nos espera adiante, a coragem de continuar — mesmo de costas — é boa parte do que constrói o sentido da vida.
O tempo continua passando, sempre nos levando pro futuro. A pergunta que fica é: como você está caminhando? Está fortalecendo seus alicerces ou tropeçando nas próprias escolhas? O futuro pode ser um mistério, mas o presente é sua chance de construir algo sólido. Então, que tal começar hoje? Qual o próximo tijolinho que você vai colocar na sua história?